ONU preocupada com o futuro da nanotecnologia

Por | 6 de Fevereiro de 2007

O Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) instou hoje os decisores políticos a proceder com urgência a uma avaliação da nanotecnologia, por considerar que a sua segurança requer um maior controlo e regulamentação.
Esta chamada de atenção consta de um relatório de 87 páginas sobre o ambiente global hoje apresentado por aquela agência da ONU em Nairobi, na abertura Fórum Ministerial Global sobre Ambiente.

O documento, elaborado por 80 peritos de todo o mundo, diz ser prioritário o estudo dos potenciais riscos dos nanomateriais que estão já a ser produzidos em massa.
A nanotecnologia, a tecnologia do infinitamente pequeno, baseia-se na utilização de átomos como blocos de construção, tendo como escala o nanómetro, ou seja, um milionésimo de milímetro.
O seu objectivo é desenvolver novos produtos e materiais através da alteração ou criação de materiais a nível atómico e molecular, com aplicações em indústrias como a alimentar ou a farmacêutica, na cosmética ou na medicina.
Por exemplo, são já usados nanomateriais na produção de raquetes de ténis mais resistentes, de vestuário resistente às nódoas ou de janelas com auto-limpeza.

Os críticos dizem que a ciência abriu uma «caixa de Pandora» e advertem que nanotubos ou nanopartículas em deriva errante podem ser inaladas, absorvidas pela pele ou concentrar-se no ambiente.

Uma vez que as pessoas já respiram milhões de nanopartículas por dia, urge saber se os químicos que as compõe são ou não prejudiciais à saúde, refere o documento.
Embora esteja ainda no início, a indústria da nanotecnologia está a crescer rapidamente.
De acordo com estimativas do PNUA, a nanotecnologia deverá captar 14% do mercado global dos produtos manufacturados (2,6 biliões de dólares) em 2014, quando em 2004 se ficou por menos de 0,1%.

Segundo o relatório, não é claro o que acontece com as nanopartículas quando estas se libertam na atmosfera, na água ou no solo.
É por isso que o PNUA considera necessários protocolos de análises a nível global e uma maior cooperação entre as indústrias dos sectores público e privado, e entre os países em desenvolvimento e os industrializados.
Preconiza ainda educação pública sobre nanotecnologia, de modo a atrair a atenção e promover a divulgação de informações sobre os seus potenciais benefícios e riscos.

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