Será que é o Zé Povinho que deve apertar o cinto?

Por | 2 de Outubro de 2006

O gabinete do primeiro-ministro dispõe de 219 090 euros para despesas em chamadas de telemóvel até ao final deste ano. Com este montante para gastos em comunicações móveis, como prevê o orçamento do gabinete do chefe do Governo inscrito no Orçamento do Estado para 2006, José Sócrates pode gastar quase cinco vezes mais do que Vieira da Silva e Manuel Pinho, cujos gabinetes ministeriais têm a verba mais alta do Executivo após o do primeiro-ministro.

O orçamento do gabinete do primeiro-ministro para este ano não deixa margem para dúvidas: numa despesa total prevista de 315 090 euros em comunicações, incluindo comunicações fixas de voz e de dados e acesso à internet, as chamadas de telemóvel representam cerca de 70 por cento do custo total. A explicação para tamanha despesa em chamadas móveis é muito simples: “O telemóvel é um instrumento de trabalho fundamental para o primeiro-ministro”, apurou o CM junto de fonte governamental.

Mais: sendo o chefe do Governo, “ele [José Sócrates] está sempre em contacto com o seu gabinete e com os próprios ministros”, precisa a mesma fonte. “Ele, logo que há alguma coisa [dúvidas sobre dossiês, dificuldades de governação], liga directamente para os ministros”, precisa. E isto independentemente de ser “durante a semana ou ao fim-de-semana”, remata, em jeito de conclusão.

Sócrates encara esta forma de trabalho directa com os seus ministros como um método “mais eficiente de decisão”. Um exemplo: durante os cinco dias de visita oficial a Angola, em Abril deste ano, “o primeiro-ministro contactou sempre que entendeu com os ministros das pastas [que estavam em Lisboa]”, frisaram ao CM.

Como são entendidas como um instrumento importante para o exercício da governação, os orçamentos dos gabinetes dos ministros reflectem isso mesmo: ao todo, o primeiro-ministro e os 16 ministros do Governo socialista contam com um total de 1,25 milhões de euros para despesas em telemóvel, telefone fixo de voz e dados, acesso à internet e outros serviços. Essa verba representa um decréscimo de quatro por cento face a 1,3 milhões de euros aprovados para 2005 pelo Executivo de Pedro Santana Lopes.

Fonte: Correio da Manhã

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